Sobre Comissões de Fábricas

Companheiros Congressistas:

Esta é uma pequena contribuição da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo para o III CONGRESSO DOS METALÚRGICOS DE SÃO BERNADO E DIADEMA e para todos os trabalhadores aqui presentes.

As nossas experiência, as nossas lutas, as nossas vidas são neste Brasil ainda muito desconhecido. Apesar de sermos todos metalúrgicos e trabalhadores. Uma coisa temos de comum, ninguém esta vivendo bem. O pais vai de mal a pior e não se fala de milagres como antes.

Em maio vocês pararam, foi o silêncio de fábrica por fábrica. Nos também fizemos o mesmo.

COMO FOI EM SÃO PAULO?

Quando começaram as greves os patrões não queriam falar com todo mundo junto em ASSEMBLÉIA DA FÁBRICA e em tampouco que fosse todos que decidissem. Não sabiam inclusive com quem falar para negociar.

Os patrões queriam falar com os poucos e ainda por cima queriam que estes poucos decidissem por todos. Em muitos lugares só a assembléia, feita durante a greve, decidia. Em outros só a Comissão. Vimos que nos lugares que a comissão só negociava e a decisão era de todos a luta foi mais firme. Nas fábricas onde as Comissões decidiam por conta própria a firmeza não foi a mesma. Por esta razão achamos que: A COMISSÃO DEVE NEGOCIAR E SÓ A ASSEMBLÉIA DE FÁBRICA DECIDIR

QUEM ERAM OS PARTICIPANTES DAS COMISSÕES?

Todo mundo participou do faxineiro ao ferramenteiro. E por isso todos os problemas de trabalhadores foram vistos, alguns reivindicados na luta. A experi6encia mostrou que quanto maior for o número de seções representadas na comissão maior é a garantia de que todos os problemas serão enfrentados. Isto mostra que: NA COMISSÃO DE FÁBRICA DEVEM ESTAR REPRESENTADAS TODAS AS SEÇÕES

COMO FOI O COMPORTAMENTO DAS COMISSÕES?

A maior descoberta das Comissões foi que sue força aumentava muito a cada assembléia geral feita dentro de fábrica.

Outra lição tiradas por algumas comissões foi que quando algum representante falha, tem que ser substituído por outro eleito.

Os melhores resultados foram obtidos quando a Comissão foi formada por companheiros eleitos LIVREMENTE em todas as seções.

Os piores resultados foram das fábricas onde as comissões foram indicadas pelos chefes os através de votações mal feitas.

Devido a isso achamos que: OS REPRESENTANTES DE SEÇÕES DEVEM SER ELEITOS LIVREMENTE E SEREM SUBSTITUIDOS A QUALQUER MOMENTO DESDE QUE SEJA ESTA VONTADE DE QUE OS ELEGERAM!

A COMISSÃO SÓ SERVE DURANTE A GREVE?

Não! Todas as greves que fizemos terminaram com o aumento do salário. Isso foi uma vitória. As outras reivindicações foram deixadas para resolver depois, entre a comissão e a empresa.

Ganhamos um aumento e algumas melhoras, mas isso não significou a solução dos nossos problemas.

Temos de manter nossos companheiros da comissão sempre firme para enfrentar os patrões. Isso só pode se dar com: A ESTABILIDADE PARA AS COMISSÕES E COM ASSEMBLÉIAS PERIODICAS NAS FÁBRICAS ONDE TODOS OS COMPANHEIROS POSSAM PARTICIPAR.

A COMISSÃO E O SINDICATO

Em quase todas as greves em São Paulo as comissões de fábrica mantiveram sua independência frente ao sindicato.

Isso para os companheiros das comissões ficou bem claro. Porque?

  • O LUGAR DE ATUAÇÃO DA COMISSÃO É NA FÁBRICA,
  • A COMISSÃO É ELEITA PELOS COMPANHEIROS DAS SEÇÕES,

  • QUEM CONTROLA A COMISSÃO É A ASSEMBLÉIA DA FÁBRICA,

A COMISSÃO E OS DELEGADOS SINDICAIS

A existência das comissões não dispensa a necessidade dos delegados sindicais.

Na comissão de fábrica pode-se escolher alguns companheiros que farão a ligação entre a fabrica e o sindicato.

Esses companheiros eleitos pela Comissão representarão a fabrica junto ao sindicato e garantirão uma nova estrutura de base para o sindicato.